Quanto ganha um dentista: salários, caminhos e oportunidades na odontologia
- sorria

- 4 de nov.
- 7 min de leitura

A pergunta "quanto ganha um dentista?" é, sem dúvida, uma das primeiras que vêm à
mente, seja na faculdade, ao escolher uma especialização ou ao planejar a abertura do próprio consultório. É uma dúvida totalmente legítima. Muitos dentistas, assim como você, sentem a pressão de uma profissão que exige anos de estudo e alto investimento, mas cuja remuneração parece um verdadeiro mistério.
A resposta, no entanto, não é um número único na capa de uma revista. O potencial de ganho na odontologia é imenso, mas ele depende diretamente do caminho que você escolhe seguir. A diferença entre atuar como CLT, ser autônomo ou ter uma clínica estruturada (PJ) é gigantesca, não apenas no faturamento, mas principalmente no imposto que você paga.
Mas, vamos dar uma luz sobre esse tema. Vamos dissecar a média salarial do dentista em cada modelo de atuação, explorar o piso da categoria e, o mais importante, mostrar quais caminhos e estratégias podem levar sua carreira ao próximo nível de faturamento com total segurança.
Aqui na sorria, nós acompanhamos de perto a jornada de centenas de dentistas parceiros. Entendemos que a clareza financeira é o primeiro passo para você focar no que realmente importa: cuidar do sorriso dos seus pacientes. Nossa metodologia é focada exatamente nisso, em descomplicar a gestão para que você possa crescer de forma sólida e tranquila.
O panorama da remuneração: por que é tão difícil definir um único valor?
Diferente de algumas carreiras com um plano de cargos e salários super rígido, a odontologia é um campo de muitas possibilidades. Por isso, antes de falarmos em números, precisamos deixar tudo redondo e entender o que causa essa variação.
Basicamente, seu faturamento será impactado por quatro fatores principais:
Modelo de Contratação: Você é um dentista com carteira assinada (CLT), atua como pessoa física (autônomo) prestando serviços ou já tem seu próprio CNPJ (pessoa jurídica)?
Especialização: Áreas como Harmonização Orofacial (HOF), Implantodontia e Ortodontia costumam ter um teto de ganho maior que a clínica geral.
Nível de Experiência: O valor de um recém-formado não é o mesmo de um profissional com 10 anos de mercado e uma agenda consolidada.
Localização: Os valores praticados em grandes capitais, como São Paulo, tendem a ser diferentes do interior do país.
Entender onde você está hoje e para onde quer ir é o que vai destravar seu verdadeiro potencial.
O piso salarial do dentista: o que diz a lei (e por que ela não é a realidade)
Vamos começar pelo básico: o piso salarial. Existe uma lei federal, a Lei nº 3.999/1961, que regula o piso de médicos e cirurgiões-dentistas.
O que ela define? A lei estipula que o salário-base mínimo para dentistas deve ser equivalente a 3 salários mínimos para uma jornada de trabalho de 20 horas semanais.
Se fôssemos aplicar essa lei ao pé da letra, usando o salário mínimo de 2025 (R$ 1.518,00), o cálculo teórico seria:
Jornada de 20h/semana: R$ 4.554,00
Jornada de 40h/semana: R$ 9.108,00
Parece bom, certo? No entanto, aqui vai um alerta importante: essa lei, apesar de antiga e validada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), não é aplicada na prática pela grande maioria das clínicas e hospitais.
A complexidade do sistema tributário e as diferentes interpretações jurídicas fizeram com que o mercado criasse suas próprias regras, muitas vezes ignorando o piso legal. Existem, inclusive, novos projetos de lei (como o PL 1365/22, que propõe um piso fixo de R$ 10.991,19 e que avançou em comissões no Congresso em 2025) tramitando para tentar estabelecer um novo valor, mas isso ainda não é a realidade definitiva.
Portanto, não se apegue a esses valores teóricos. A gente precisa olhar para o que o mercado realmente pratica.
A média salarial do dentista CLT na prática
Agora, vamos ao mundo real. Quando olhamos para os salários de dentistas contratados no regime CLT (carteira assinada), os números são bem diferentes.
Segundo dados de plataformas especializadas em vagas e salários, como o site Salario.com.br (baseado em dados do CBO e eSocial) e Quero Bolsa, o cenário médio no Brasil é o seguinte:
A média salarial de um dentista clínico geral (CLT) no Brasil fica hoje na faixa de R$ 4.500 a R$ 5.800, geralmente para uma jornada de 40 horas semanais.
Para um dentista recém-formado ou em início de carreira, esse valor costuma ser menor, partindo de R$ 3.100 a R$ 4.200.
Facinho de notar, né? Esses valores de mercado são bem diferentes do piso legal (R$ 9.108,00 teóricos para 40h) que mencionamos. Isso acontece porque muitas vagas não são para 40 horas, ou incluem comissões "por fora", ou simplesmente não seguem a lei de 1961.
Esse cenário de CLT, embora ofereça a (aparente) segurança do FGTS e INSS, é muitas vezes o primeiro teto na carreira do dentista. O verdadeiro salto no faturamento começa quando você entende as outras formas de atuar.
O caminho do dentista autônomo (Pessoa Física)
Depois de um tempo no mercado, ou até mesmo logo após se formar, muitos dentistas decidem que o modelo CLT não oferece o retorno desejado. O próximo passo natural é começar a atuar como autônomo, seja prestando serviços para outras clínicas (recebendo por porcentagem) ou abrindo o próprio consultório no seu CPF.
É aqui que o potencial de ganho começa a ficar interessante. Como autônomo, não há um teto salarial fixo. Seu faturamento depende diretamente da sua agenda, da sua capacidade de captar pacientes e do preço que você cobra.
Não é incomum ver dentistas autônomos com faturamento mensal de R$ 15 mil, R$ 20 mil ou até R$ 30 mil.
Parece o cenário perfeito, certo? Mas é exatamente aqui que mora o maior inimigo do seu crescimento: a sobrecarga administrativa e a complexidade do sistema tributário.
O inimigo silencioso: a armadilha dos 27,5% do Imposto de Renda
Quando você atua como Pessoa Física (PF), seu faturamento é tributado diretamente pelo Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). E a regra é clara: quanto mais você ganha, mais você paga.
O problema é que a tabela do IRPF é brutal para quem fatura alto. Conforme a tabela de 2025, qualquer dentista que tenha um rendimento mensal acima de R$ 4.664,68 cai automaticamente na alíquota máxima de 27,5%.
Vamos ser diretos: isso significa que mais de um quarto de tudo o que você fatura (após algumas deduções) vai direto para a Receita Federal.
Além disso, você ainda é obrigado a pagar o INSS como autônomo (20% sobre o teto de 2025, que é de R$ 8.157,41) e o ISS (imposto municipal). No final das contas, sua carga tributária total pode facilmente ultrapassar 30% a 35% do seu faturamento. É um sócio caro, e um sócio que não te ajuda em nada.
Por que o carnê-leão não é uma solução (e sim uma obrigação)
Muitos dentistas acreditam que "fazer o carnê-leão" é uma forma de "pagar menos imposto".
Alerta do Guardião: O carnê-leão não é uma estratégia de economia, é apenas a forma correta de declarar seus ganhos como autônomo. Ele é a sua obrigação mensal para evitar problemas futuros com a Receita.
Ao preencher o carnê-leão, você lança suas receitas e despesas (como aluguel do consultório, materiais de consumo, CRO, etc.). O imposto de 27,5% (se você fatura bem) será aplicado sobre o lucro que sobrar.
O problema é que, mesmo com as deduções, a carga ainda é altíssima. Tentar "esconder" faturamento ou não declarar corretamente é o caminho mais curto para cair na malha fina e sofrer autuações pesadas, com multas que chegam a 75% do valor devido. Não vale o risco.
Como a inteligência fiscal da sorria aplica isso?
Quando um dentista se torna nosso parceiro, a primeira coisa que fazemos é essa análise. Nossa metodologia não é só "abrir um CNPJ". É fazer uma analise tributária completa.
Nós analisamos seu faturamento, suas despesas e sua folha de pagamento (se houver) para definir o melhor regime: Simples Nacional ou Lucro Presumido.
Muitas vezes, usamos estratégias como o Fator R no Simples Nacional. De forma simples, ao ajustar seu pró-labore (seu "salário" como dono da empresa) de forma estratégica, conseguimos reduzir sua alíquota de imposto de 15,5% para até 6%.
Isso é inteligência fiscal. É usar a lei a seu favor para proteger seu faturamento, tudo dentro da mais absoluta segurança.
O fator especialização: quanto ganha um dentista por área?
Até agora, falamos dos modelos de atuação (CLT, PF, PJ), que são o como você ganha. Mas o o quê você faz também impacta diretamente seu faturamento.
Algumas especialidades na odontologia têm um potencial de ganho significativamente maior, seja pelo valor agregado dos procedimentos ou pela alta demanda.
1. Harmonização Orofacial (HOF) e Estética
A HOF é, sem dúvida, uma das áreas que mais crescem. Procedimentos como aplicação de toxina botulínica, preenchedores e bioestimuladores têm alto valor agregado e forte apelo estético.
Potencial de Ganho: Profissionais bem-posicionados em HOF podem faturar de R$ 30 mil a mais de R$ 100 mil por mês.
2. Implantodontia e Prótese
A reabilitação oral continua sendo um pilar financeiro da odontologia. São procedimentos de alto custo e que impactam diretamente a qualidade de vida do paciente.
Potencial de Ganho: Implantodontistas e protesistas experientes frequentemente faturam entre R$ 25 mil e R$ 70 mil mensais.
3. Ortodontia
Especialmente com a popularização dos alinhadores estéticos, a Ortodontia se modernizou e manteve sua alta rentabilidade. A vantagem aqui é a previsibilidade de receita, com pacientes em tratamento por longos períodos.
Potencial de Ganho: Ortodontistas com uma boa carteira de pacientes podem ter um faturamento estável entre R$ 20 mil e R$ 50 mil por mês.
E o dentista concursado? A estabilidade tem um preço
Por fim, existe o caminho do concurso público, muito comum em prefeituras (Estratégia de Saúde da Família - ESF) ou nas forças armadas.
O que atrai nesse modelo é a estabilidade, o 13º e as férias garantidas. No entanto, os salários raramente são o maior atrativo.
Média Salarial (Concursado): A maioria dos concursos municipais oferece salários na faixa de R$ 4.000 a R$ 8.000 para jornadas de 20h ou 40h semanais.
Concursos Federais/Militares: Oferecem os melhores pacotes, podendo chegar a R$ 10 mil a R$ 15 mil iniciais.
A grande maioria dos dentistas concursados utiliza o cargo público como uma fonte de renda "fixa" e mantém um consultório particular ou presta serviços por fora para complementar a renda. Nesses casos, a organização financeira e tributária se torna ainda mais vital, e ter um CNPJ para a atividade privada continua sendo a decisão mais inteligente.
Nossa equipe de especialistas está pronta para analisar seu caso e mostrar, gratuitamente, o quanto você pode economizar com a analisetributária certa.



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